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Rato de biblioteca

Arte

publicado: 27/05/2019 10h15 última modificação: 27/05/2019 10h15

                        -Rato de biblioteca-

    

Gabriel Vergopolan

 

Meu ódio que pulsa em meu coração por ti é o amor que pulsa em meu coração por ti.

            No lado escuro de minha alma prevalece a confusão de sentimentos, que guardo como um segredo que somente Deus sabe. Eu tenho tantos segredos que guardo dos dias em que o sol e a chuva reinam, tocando almas perdidas e confusas pelas ruas do mundo. Que mundo?! Não, não quero explicar minha confusão. Neste mundo os que guardam segredos são os que mais vivem.

Sou um rato que vive em biblioteca, procurando uma história de amor para viver. Sou apenas o rato que espera as luzes se apagarem para sair de sua toca, e viver o verdadeiro sentido de amar, que sua alma sempre escondeu. Sempre escondemos coisas que nunca vamos viver em plena luz do dia.

A noite é o lugar de almas verdadeiras saírem.

Ontem eu repousei no banco da praça. O peso de viver sem sentido, sem ser verdadeiro, acaba deixando a vida na rotina que todos vivem. Eu, eu não tenho uma alma verdadeira. Sou o rato de uma biblioteca, que cuja a função é guardar livros empoeirados e somente de possuir história que raras vezes vão ser lidas. Não, não diga que é mentira. Você sabe que história é um passado que sempre revelará o futuro. Eu tenho receio de abrir um livro e deparar-me com o futuro ou com o meu presente. Eu sei, que livros também podem contar o presente.

Eu tinha um amor verdadeiro. Eu somente pensava que tinha...

Não! Eu era o rato que amava e silenciava em minha toca esperando esse alguém me salvar, talvez, dar-me uma vida com um sentido. Este amor, dava-me o sentido de sair de minha biblioteca, e procurar viver como alguém que tem um sentido de viver. Tratou-me como a maioria dos humanos tratam os ratos. Desprezo! Apenas uma vida de experimentos para explicar o sentido das coisas que acontecem no mundo que vivemos. Eu... Eu fui o experimento desprezado por este amor.

           Eu apliquei o amor em minhas veias e não resisti ao veneno que era este amor. Eu gostei, eu simplesmente caí nas armadilhas que este amor me pregava. O amor que no começo me libertou e no final prendeu-me. Não, nunca fui libertado por este amor. Eu me enganei, e, dirigi meu pobre amor para a ribanceira de impossibilidades que estavam em meus olhos. Eu não enxerguei. Não, não, não tenho mais sentido para olhar novamente esse amor.

              Eu sou um rato, que escondido no escuro, permaneço no amor que tenho por você.

Sim, eu permaneço envenenado por algo que não sei explicar. Não cabe a mim, que sou um mero “ser”, explicar tamanho significado da vida. Que sempre tive medo de aprofundar o sentido verdadeiro para um lugar que todos conhecem superficialmente.

Eu corro. Corro em meios aos livros enfileirados nas estantes da biblioteca, que quando estou sucumbindo com meus pensamentos perversos, sobre tudo e todos que vivo no dia a dia. Esse ato de correr através dos corredores de livros, me faz acalmar, o que eu tenho mais medo sobre mim. Meus pensamentos...

Estou vivendo somente por viver. Estou vivendo somente como rato de biblioteca. Tentando buscar uma bela e simples história para entender a vida, e, entender o mais completo e aprofundado de todos os sentimentos. O amor... Amor que me deixa perdido em meus pensamentos. E se não bastasse também reflete, em minha vida, que não sei se realmente é uma vida. Eu não sou uma vida. Não... Você é uma vida?

Não quero, não vou entregar mais minha dor de ver meu sentido que pensava que podia ser o sentido meu, quando o olhei pela primeira vez. Num ato de andar, que somente este amor sabe fazer, em frente a meus olhos, me faz sentir o sentimento que somente os ratos e animais de natureza medonha sentem. O desprezo de ser um animal que não pode ser amado.

Eu me senti como alguém, que é desprezado por ser quem realmente é. Eu que não sei, o rumo que meus pensamentos vão me levar. Eu sou o rato de biblioteca que possui a escuridão como refúgio. Eu prefiro sair à noite, e andar em alerta dos perigos de ser... 

Eu sou um animal por te amar.

Eu... Eu... Sou um rato de biblioteca.